segunda-feira, novembro 27, 2006

Teixeira de Pascoaes



Quando meu coração, parar desfeito,
Em sombra, naprofunda sepultura;
E o meu corpo, espectral e já perfeito,
Divagar entre o Olimpo e a terra dura:

Quando sentir, enfim, todo meu peito
A converter-se em luminosa altura:
Eu, aquele fantasma, o claro eleito,
O enviado da vida à morte escura;

Ah, quando em mim, eu for minha esperança!
Meu próprio ser, divino e redimido;
E a minha sombra apenas for lembrança,

Bem longe, em outro mundo transcendente,
Á luz dum sol jamais anoitecido,
Serei contigo, amor, eternamente.